segunda-feira, 19 de junho de 2017

...você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeito, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira, é, não estou sendo agressivo não, esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente.
Caio Fernando Abreu
Depois de todas as tempestades e naufrágios o que fica de mim e em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro.
"Mas só muito mais tarde, como um estranho flash-back premonitório, no meio duma noite de possessões incompreensíveis, procurando sem achar uma peça de Charlie Parker pela casa repleta de feitiços ineficientes, recomporia passo a passo aquela véspera de São João em que tinha sido permitido tê-lo inteiramente entre um blues amargo e um poema de vanguarda. Ou um doce blues iluminado e um soneto antigo. De qualquer forma, poderia tê-lo amado muito. E amar muito, quando é permitido, deveria modificar uma vida – reconheceu, compenetrado. Como uma ideologia, como uma geografia: palmilhar cada vez mais fundo todos os milímetros de outro corpo, e no território conquistado hastear uma bandeira. Como quando, olhando para baixo, a deusa se compadece e verte uma fugidia gota do néctar de sua ânfora sobre nossas cabeças. Mesmo que depois venha o tempo do sal, não do mel."

Caio Fernando Abreu

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Acorda, levanta, conversa, sorri, escuta, chora. Faz o que tem que fazer, esquece essa dor, levanta a cabeça, chora. Mais uma vez, vai ficar tudo bem, eles dizem... Vai dar tudo certo, você é ótima, você é especial, você é amada. Eles falam, falam e falam mas eu não consigo escutar. 
 Seu toque, sua boca, seu cheiro seu peso sobre meu corpo... Suas mãos, seus olhos, o som da sua voz, seu calor...
 Sua presença me deixa bêbada, esqueço quem eu sou, esqueço de onde eu vim ou pra onde eu vou. Teu segredo, esse feitiço que me prende e por mais que eu tente, tente e tente de novo não consigo parar de querer mais e mais. Mas eu tenho que parar, tenho que afastar você de mim, afastar essa vontade, esse desejo que grita silenciosamente dentro do meu peito cada vez que teu olhar cruza com o meu. 

terça-feira, 29 de setembro de 2015

 Aquela que batia no peito e gritava aos quatro ventos que não faria, não seria ou não iria, hoje aprendeu que o futuro é um mistério;
 Quem você será no futuro é um mistério! As coisas vão acontecendo e a gente aprende com cada tombo, aí chega uma hora que percebemos que mudamos. O que antes recusávamos, hoje aceitamos com imensa gratidão. E o que queríamos com todo nosso coração no passado, hoje nos causa repulsa.
 Que o futuro nos molde e nos torne pessoas melhores, lindas por dentro, menos fúteis e capazes de enxergar a beleza nos pequenos detalhes...

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Amadurecendo?

 Tanta coisa aconteceu desde que eu passei por aqui... Nem sei se eu ainda tenho jeito pra isso! Mas tô precisando tanto dizer o que acontece, por pra fora minhas ideias, que escrever é necessário. 
 Cara, o que está sendo esse ano? Muito intenso, tudo acontecendo ao mesmo tempo. As coisas de que eu tinha certeza não existem mais... O que eu sei da vida? O que há de acontecer? Ando confusa e cheia de medos. Medo de amar alguém de novo, medo de não conseguir amar mais. Pode isso? 19 anos ainda, e já com medo de não amar! Tô querendo me proteger mais, me blindar, tomar cuidado com o que falo, com o que ouço e principalmente com o que acredito. Por que esse tem sido meu grande erro: acreditar. Nunca gostei de ser desconfiada, mas tenho visto que é extremamente necessário ter um pé atrás, com tudo e todos. Eu espero do fundo da minha alma que tudo o que tem acontecido comigo nesses últimos meses me faça crescer como pessoa, me faça enxergar a vida com mais sensibilidade, me faça florescer, me descobrir. Porque eu ainda me olho no espelho e pergunto: quem é você?